quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Estudo de caso - I

Olá, amigo (a) Leitor (a)!
Todas as quintas-feiras, vou procurar postar um estudo de caso para você! Se é terapeuta, vamos refletir juntos sobre a história. Se você está apenas querendo conhecer os efeitos maravilhosos das flores de Bach, fique a vontade. Ficará surpreso com o poder benéfico dessas flores que tão gentilmente a natureza nos colocou nos campos para a nossa cura.
Vamos lá?
Boa leitura!!!

DIEGO RIVERA:
Pintura de Diego Rivera


A PEQUENA CENTAURY


Ainda era muito cedo, quando chegamos para iniciar os atendimentos. Era o meu primeiro dia, e a primeira vez que eu me via diante de tantas pessoas ansiosas por um momento onde poderiam ser ouvidas, e levarem para casa, o “remédio para a alma”.
Logo, a ajudante que tão habilmente encaminhava as pessoas às terapeutas florais, me direcionou a primeira paciente daquele dia.
Ela chegou com um jeitinho de quem não consegue se colocar no mundo. Olhar baixo, e um sorriso meigo e sincero. Apesar da aparência sofrida, ainda mantinha os traços da beleza que um dia tomou conta de seu rosto e de seu físico. Vestia-se com a simplicidade tão natural da pequena Centaury.
Sentou-se a minha frente, como quem se pergunta se está sendo aceita. Sorri para ela, e a elogiei pela sua beleza, e pelo seu sorriso, que olhando assim de perto, ainda parecia mais bonito.
-Bom dia, flor! Qual o seu nome e o seu endereço? – perguntei, sem imaginar o que ouviria a seguir.
- Eu não me lembro não, moça. – disse depois de fazer um certo esforço pra se lembrar de uma informação que nos parece tão corriqueira.
-  O que  a trouxe até a gente? – perguntei, tentando deixá-la mais à vontade.
Logo as lágrimas romperam pelo seu rosto, e o sorriso foi levado pela nuvem negra  de angústia que tomou conta daquela pessoa.
- Sou dependente química, e preciso de ajuda. Tenho sofrido demais, tento sair, mas não consigo. As pessoas me criticam. Não tenho o amor dos meus filhos. Nem o respeito de ninguém. Só sorriem pra  mim, quando trabalho pra eles. E faço isso, tentando fazer com que gostem de mim. Mas não gostam. E busco o conforto nas drogas.
Era a minha primeira paciente naquele dia. Fiquei surpresa, por ver o tamanho da dor, que essa pessoa suportava sozinha, e ainda assim, conseguia sorrir daquela maneira.
- Sempre usei todo tipo de droga. – continuou -  Mas o “craque” está me matando. Tenho emagrecido, e sinto um medo de enlouquecer. Vejo vultos e figuras estranhas a minha volta. Sinto medo. Uma solidão que não cabe mais dentro de mim. E ao mesmo tempo, apesar de todo esse horror, parece que gosto disso tudo, e acabo sempre fazendo novamente.
Olhei pra ela, sem censura. Em momento algum pensei em reprimi-la pelos feitos. Mas, senti naquele momento, que eu precisava muito mais dela do que ela de mim. Pois, a compaixão que senti pela pequena Centaury, era maior do que eu podia supor que um dia sentiria por alguém que se mata aos poucos, querendo viver. Olhei com sinceridade para ela, e sorri. Tentei descobrir, em que momento da vida, ela perdeu a sua conexão com sua própria alma, a ponto de buscar tamanho sofrimento.
Contou-me que foi mãe muito cedo, e ainda solteira, teve sua filha tirada de seus braços pela sua própria mãe, que a insultava e a chamava de todos os nomes que não se deve chamar ninguém. Disse-me, que desde muito pequena, sempre tentou agradar a todos, para conseguir ser amada. Mas tendo um pai alcoólatra e uma mãe em desequilíbrio, tudo o que conseguiu foram agressões e desmandos dos dois.
- Sinto uma culpa muito grande por estar fazendo o que faço. Um desespero toma conta de mim. Mas nunca consigo parar!- ela contava, enquanto chorava e sorria ao mesmo tempo, sentindo um certo alívio de estar com alguém que se dispunha simplesmente a ouvi-la.
Perguntei de seu marido. Afinal, disse-me que tinha filhos.
- Ah, moça, ele morreu há dois anos. Hoje estou sozinha.
- Você sente saudades? Gostava dele? – Eu precisava entender a sua história.
- Saudades? Não. Não, sinto não. Ele bebia muito, e me maltratava demais. Penso que ele não me amava, pois bebia pra esquecer sua primeira esposa, que o traiu. Ele dizia que eu não prestava. Que ele tinha apenas um vício, mas eu tinha todos de uma vez só.
Não me restava fazer outra coisa, se não sorrir pra  ela, como quem acolhe, e tenta ajudar, sem críticas e sem confrontos.
Pensei em tudo o que ela falava, e por alguns momentos, vivia mentalmente as cenas contadas com tantos detalhes.
Até que disse a ela:
- Olha, flor, você é uma pessoa maravilhosa! Tem uma luz  dentro de si, que um dia todos irão perceber. Mas pra isso, você precisa se ver como um ser maravilhoso que é, uma filha de Deus. Você volte pra sua casa, e leva o seu floral. Tenho certeza de que ficará bem, pois é exatamente isso que você deseja, e eu também!
Ela se foi sorrindo, e aliviada por ganhar um abraço sem nenhuma intenção de outra coisa que não fosse a de dar um conforto.
Fiquei olhando os seus modos, se levantando e saindo encolhida, para receber o remédio que lhe traria algum alívio.
Seu endereço? Ela não sabia. Mas como saber o endereço, se ela mesma nem sabia quem era, e até hoje, nunca soube ocupar seu verdadeiro lugar no mundo?
Uma Centaury, que nunca soube dizer “não”  pro mundo, precisaria ganhar determinação, para dizer “sim” pra vida e pra si mesma.
A princípio, a vontade que dava era passar no mínimo umas 20 essências, tantos eram os seus problemas e anseios. Mas sabendo a impossibilidade disso, optei pelos que achei mais urgente:

Centaury
Centaury
  • Sweet Chestnut, pela sua angústia profunda.
  • Willow, pelos ressentimentos que traz da vida.
  • Cherry Plum, pois sente medo de perder a razão a qualquer momento.
  •  Agrimony, pela sua necessidade de escapar à realidade.
  •  Aspen, pelos medos que tem das “assombrações” que lhe aparecem e a assusta tanto.
  • Centaury, como não poderia deixar de ser, para que lhe traga a segurança, e a determinação tão necessárias a sua sobrevivência nesse mundo, para que consiga saber qual o verdadeiro “endereço” de sua alma, que talvez nunca tenha sido encontrada até então.  



*Rescue Remedy, (num frasco a parte) para ajudá-la a se abrir para a nova terapia que se apresentava a ela, trazendo um certo conforto físico, emocional e mental. (foi feito em um frasco separadamente) 





Conclusão 3 meses após o início do tratamento que se manteve igual por esse período, a paciente me procurou, mostrando resultados muito positivos. Arrumou emprego, estava trabalhando agora numa casa de família em outra cidade próxima. Estava conseguindo diminuir o uso das drogas e dizia ser outra pessoa. Sua aparência havia melhorado cem por cento, e seu sorriso, inesquecível, brilhava mais do que nunca. Realmente, os florais mudaram a vida dela.

E ela, a pequena Centaury, me deu as bençãos e a alegria de conhecê-la.


Esteja onde você estiver, minha querida, você estará sempre em meu coração e em meu pensamento, colhendo as flores do jardim de Bach.

Sou grata!


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