Fitoterapia - O caminho secreto da cura do corpo e da alma

Arnica
"Cada planta é uma estrela terrestre. Suas propriedades celestes se acham inscritas nas cores das pétalas e suas propriedades terrestres, na forma das folhas, toda a Magia se encerra nelas, já que em seu conjunto as plantas representam as potências dos astros."
William Cole (herbalista inglês)
O estudo das plantas medicinais e suas aplicações na cura de doenças são chamados de Fitoterapia; Essa palavra é originada de dois radicais gregos: phyton, que significa vegetal e therapeia, que significa tratamento.

A fitoterapia para ser bem sucedida exige que se desvendem os mistérios que regem a cura através das plantas. O profissional que trabalha com as plantas sabe que existem muitos segredos que envolvem a cura através da fitoterapia. A compreensão e a integração de forma harmônica com o meio ambiente promove maior comunhão com a natureza. E, através desta comunhão é possível alcançar o aspecto sagrado das plantas e de suas propriedades de cura.
"Atenta para as sutilezas
que não se dão em palavras
Compreende o que não se deixa
capturar pelo entendimento"
Rumi
valeriana

Conhecer a anatomia e fisiologia das plantas favorece a compreensão e revelação dos mistérios que envolvem a cura. O metabolismo da planta traz a chave deste enigma, pois mostra como acontece à produção de princípios ativos dos vegetais. A planta tem dois tipos diferentes de metabolismo: o metabolismo primário e o metabolismo secundário. O metabolismo primário está relacionado com a produção para a manutenção da vida e o metabolismo secundário está relacionado com a defesa da planta.


E na fitoterapia o metabolismo secundário é que gera os princípios ativos de interesse terapêutico, visto que reflete as adaptações das condições adversas do mecanismo de defesa.
A alteração dos estímulos ambientais da planta inviabiliza a previsão de como será a produção dos metabólitos secundários. Por isso a escolha e local de cultivo necessita que haja semelhança com o local de origem da planta para que a mesma manifeste seu potencial de produção de substâncias ativas.


Para ilustrar, uma indústria fez uma plantação para facilitar na produção dos seus fitoterápicos.
Sabe o que aconteceu? Não houve atividade terapêutica. Como aquelas plantas foram plantadas em um ambiente ótimo, elas não desenvolveram no seu metabolismo secundário atividades que proporcionam a terapêutica. Portanto, ficaram sem atividade; Então providenciaram para que aquelas plantas fossem deixadas mais ao natural, por conta própria, pois só assim são produtoras de substâncias que curam.


Devido a essa particularidade que a planta apresenta, em muitos casos só é possível a utilização dos princípios ativos para produção de alguns fitoterápicos através da planta selvagem; assim, os fatores ambientais e os cuidados com o período de colheita, interferem nos metabólitos ativos.


Ao selecionar uma planta para produzir um medicamento devem-se observar todos os fatores que possam interferir na cura desejada. Isso faz muito sentido, pois o que se utiliza da planta é o metabolismo secundário, que é a defesa da planta. Ou seja, como a planta não pode sair do lugar para se defender, então, através do seu metabolismo, cria suas defesas e com isso produzem substâncias ativas para a terapêutica; Importante ressaltar aqui que o medicamento Fitoterápico é desenvolvido por técnicas farmacêuticas e industriais e são algumas partes do vegetal que são utilizados. Portanto, os princípios ativos utilizados na produção de fitoterápicos são provenientes da reação metabólica da planta.
"A falsa ciência gera ateus,
a verdadeira ciência leva os homens
a curvarem-se diante da Divindade "
Voltaire.


Quanto ao preparo dos vegetais na Fitoterapia, a abordagem é um pouco diferente, pois aqui toda a planta é utilizada. Geralmente são através da utilização de chás, cataplasmas, diluição, enfim, são práticas sem os recursos mais elaborados da indústria. Também não é possível verificar a exata quantia de princípios ativos existentes nessa modalidade de tratamento. Desta forma, trata-se de uma forma empírica de cuidar e curar. E a avaliação da ação terapêutica ou tóxica também é realizada de forma empírica. Diante da grande variedade de respostas que cada ser humano poderá apresentar mediante ao tratamento baseado na Fitoterapia devemos ter a ciência que a mesma não é isenta de riscos.  Entretanto ainda é um excelente recurso a ser empregado para a busca e manutenção da saúde.

A fitoterapia encontra em nosso país muitos profissionais preparados para atuarem de forma assertiva na recuperação da saúde. Buscam integrar a cultura ao tratamento escolhido e preparado para a recuperação da saúde.Valorizam essa influência, pois estão cientes de que a planta insere em seu cerne características do ambiente. Por isso escolhem aquelas que mais estão em conformidade com o tratamento selecionado. Assim sendo, se a planta é do mesmo local, enfrenta as mesmas adversidades que a pessoa na questão ambiental, ou seja, desenvolve defesas que contribuirão na cura. Importante ressaltar que são forças que contribuem, porém, jamais limitam ou anulam a eficácia da fitoterapia.
Portanto, se a planta estiver longe, o potencial de cura permanece, porém se for do mesmo ambiente, promove um reforço no tratamento, pois insere energias que são as mesmas que pessoa doente vivencia. Atua como ação sinérgica. Reforça a integração do aspecto sagrado das plantas ao processo da cura.
 Texto: Elisa Maria Machado Lima - farmacêutica e bioquímica

Referência Biográfica:

SIMÕES, Cláudia M. O.; SCHENKEL, Eloir P.; GOSMANN, Grace; MELLO, João C. P.;
MENTZ, Lilian A.; PETROVICK, Pedro R. Farmacognosia da planta ao medicamento. Sexta edição. Porto Alegre: Editora da UFRGS, Florianópolis: Editora da UFSC, 2007

ZAGO, ROMANO. Câncer tem cura. Décima terceira edição. Petrópolis RJ: Editora Vozes, 1997

Comentários