TERAPIAS CORPORAIS

Olá meus amigos(as), vamos refletir e ao mesmo tempo fazer um exercício hoje? Podemos? Ok, se a rsposta for afirmativa então continuemos! Bem, vamos começar fazendo uma série de exercícios fisionômicos hoje. Que tal pensarmos numa expressão de alegria? Ou melhor, tente fazer essa expressão agora, neste momento, e ai? Que tal agora mudar para uma expressão de raiva? - E agora o que você sentiu? Dentro de você veio junto toda aquela emoção que esses movimentos trazem? Como você se vê de frente a um espelho fazendo essas expressões? Já refletiu sobre isso?
Agora vamos refletir sobre mais uma coisa: Quantas pessoas nós vemos diariamente e quanto tempo reservamos para observá-las dentro do nosso cotidiano, afim de olharmos atentamente para seus rostos e corpos e lermos as expressões contidas em cada uma das suas musculaturas? Poucas serão as respostas afirmativas a essa pergunta, pois como dizia Wilhelm Reich ( criador das psicoterapias corporais): O ser humano está tão envolvido com o seu cotidiano que esqueceu de si mesmo e dos outros, não temos a percepção das coisas à nossa volta, focalizamos nossa atenção nos problemas diários, esquecemos que somos seres emocionais vivendo em comunidade e interagindo em fluxo contínuo uns com os outros. Em suas obras, Reich admitia que os nossos traços de caráter ficavam "impregnados" na nossa musculatura corporal assim como uma armadura que fica sobre a pele afim de preteger-nos de qualquer agressão, tal qual é nosso caráter, ele se forma apartir das tensões musculares que a repressão imposta por nós ou pela sociedade inflige ao nosso comportamento natural refletindo assim no nosso corpo. Nosso verdadeiro eu está muito além daquilo que mostramos a nossos amigos, vizinhos, esposo, esposa, enfim, está muito além da maneira que nos apresentamos ao mundo. Nosso eu verdadeiro é fragil, cheio de conflitos, precisa ser protegido desse mundo onde todos julgam, condenam, analisam e fiscalizam uns aos outros, nossa expressão natural deve e tem que ser contida a todo custo. Por isso do uso de máscaras ou armaduras!!
Portanto a nossa armadura (defesa, musculatura...) se adequa ou melhor dizendo, se modela as situações traumáticas levando-nos a formar um traço de caráter distinto, e essa armadura tal qual uma roupa, molda-se ao nosso "jeito" de nos expressar socialmente, aquele jeito que queremos que todos nos vejam. Em síntese: Nós temos a tendência de nos mostramos ao mundo de forma que agrade a todos em detrimento da nossa espontaneidade, então criam-se algumas armaduras que farão a inteface entre a imagem falsa que queremos mostrar a sociedade e a imagem que a agrade. Portanto surgem assim armaduras rígidas assim como o ferro é, outras se mostram autoritárias, alguns submissas, outras apáticas, mas tudo isso simplesmente porque dentro de nós existe algum tipo de medo ou contenção que nos obriga a mostrar-nos através de papeis socialmente aceitos, só que o corpo registra tudo isso em forma de tensões e marcas na fisionomia ou em outra parte da nossa anatomia. Vou dar um exemplo bem específico: Geralmente as pessoas que tem a mandíbula muito pronunciada, são pessoas que quando crianças foram impedidas de expressar o choro e quando se viam impedidas disso, ao fazerem a caricatura típica do choro prendiam essa musculatura afim de conté-la para não chorar. Wilhelm Reich dizia que quando somos impedidos de fazer alguma ação, esse impulso do movimento retraído da caricatura associada a emoção faz com que os músculos associados se "congelem" naquela posição formando um traço característico da retenção muscular daquela ação fazendo com que a fisionomia da pessoa quando em estado de relaxamento se torne a caricatura exata daquela emoção associada e que foi reprimida. Essa "estagnação" energética não se dá do dia pra noite, precisa é claro que a pessoa passe por vários eventos similares para que se forme dentro da sua forma física esses traços de contenção, criando assim uma armadura ou couraça assim como reich afirmava: Será essa a nossa forma de expressão, de interação que irá entrar em contanto com o mundo. Dentro desse modelo, podemos descrever vários outros exemplos de armadura criadas por traumas na infância tais como: Retenção dos ombros( medo infantil de cair), retenção de pelve(caráter anal), contenção da musculatura da testa(sustos contínuos), cifoses pronunciadas, lordoses, escolioses etc.. Todas elas com uma história a contar.
Quem nunca se deparou com alguém que aparenta ter uma fisionomia de tristeza permanente mesmo que naquele momento não esteja triste? Quem nunca se deparou com alguém com o tórax estufado aparentando arrogância? Aham, agora você deve está pensando em inúmeros tipos conhecidos que talvéz tenha alguma semelhança com os caracteres descritos acima não?
Pois é, temos que ter a percepção para notar a sutil diferença entre o que somos e o que aparentamos ser, todo mundo tem duas máscaras, aquela que nos apresentamos ao mundo e outra que apresentamos a nós mesmo na nossa intimidade. Só que a máscara social que temos que colocar todo dia é algo anti-natural e tudo o que não é natural está propenso a nos fazer mal, não existe máscara que nos satisfaça, assim , tomando o exemplo de uma armadura, todos nós sabemos que essa peça medieval é algo muito desconfortável, alguém já parou pra pensar como deve ser ficar dentro de uma peça de ferro que não tem maleabilidade, que pesa mais de cinquenta quilos e que temos que carrega-la para onde formos afim de nos proteger? Com certeza ela nos fará sofrer muito, não podermos ficar confortáveis ao sentar, ao comer, ao fazer amor, ao conversar... Isso deve nos trazer uma angústia incomensurável aquela angústia que nos faz perder a razão. Mas é isso mesmo o que acontece conosco todos os dias, essa armadura tende a provocar angústia, depressão, neuroses, chega um dia em que essa armadura enferruja e se parte ao meio provocando assim explosões de fúria, assassinatos, estupros os quais estamos acostumados a ver constantemente nos folhetins e jornais diários. Porém quando vemos essas notícias lamentamos e não acreditamos do porque que isso aconteceu, se fulano de tal era um bom vizinho, um ótimo colega de trabalho um bom marido. Como isso pôde acontecer meu Deus??? É que a energia que estava contida tinha que sair de qualquer forma, assim como a pressão dentro de uma panela.
Esses fatos ocorrem diariamente simplesmente porque nossa sociedade sofre de inúmeras doenças e não há uma profilaxia social afim de "curar" esse homem , pois essa doença vem lá do berço desde as primeiras fraldas trocadas que nos ensinam que temos que ser aquilo que nossos pais, nossos avós querem, que temos que cumprir as obrigações sociais a contento para não infrigirmos as leis sociais que determinam nossas vidas, ai que começa o erro, nossas tendências naturais não podem ser vistas, notadas, expressadas, a criança descobre que fingir é bem aceito pelas pessoas e parte para essa estratégia, ela cria sua armadura, vai construindo parte por parte dessa indumentária que vai moldando-se ao seu "corpo" tornando-se ajustada em todos os seus centímetros afim de satisfazer não a si mesma mas ao outro, é a pura negação da individualidade, a separação do eu, o ser humano passa a não se conhecer, vive uma fantasia achando que e algo mas que não é, ai vem o caos, as emoções não acompanham essa dissociação, a doença chega, os mais graves transtornos psicóticos afloram, as crises de violência emergem e vemos os mais absurdos crimes acontecerem diariamente.
Wilhelm Reich admitiu antes de sua morte que existe uma energia primordial, a qual denominou "orgone" e que ela permeia nosso organismo e vitaliza-o energeticamente todos os dias mas que em certas circunstâncias essa energia também estagna, estagnação essa que se dá justamente no músculo envolvido com a tal armadura, formando o que ele chamou de couraça do caráter, lembra daquele exemplo da fisionomia de choro? No qual o sujeito expressa essa emoção mesmo que inconscientemente ele consiga relaxar seu rosto? Pois bem, ali se encontra , naquela musculatura a estagnação energética de um conflito que surgiu a décadas e que deve ser dissolvida pelas massagens terapêuticas, mas não é uma simples massagem e sim um conjunto de técnicas que visam dissolver o anel que se forma em alguns segmentos do corpo. Somente com essa dissolução e posterior liberação da energia estagnada é que o sujeito em questão pode relembrar do evento há muito tempo possivelmente esquecido. Nas manobras terapêuticas corporais, muitas pessoas relembram fatos ocorridos na mais tenra infância, eventos que não conseguiam acessar pela memória cerebral, mas que foram resgatadas pela memória corporal trazendo a tona todas as emoções contidas naquela expressão fisionômica antes estranha a nossa visão. O poder da massagem em liberar o fluxo contínuo dessa energia faz com que aquela expressão patológica desapareça e dê lugar ao livre movimento daquele músculo envolvido e como disse antes, libere a emoção contida nele gerando prazer onde antes havia angústia.
Portanto, infelismente ainda vemos as terapias atreladas ao nível verbal, não nos preocupamos em "ler" a linguagem corporal, a maneira como seu paciente se apresenta a você no seu consultório, sua postura, como se senta, como se expressa, como reage as suas perguntas, colocamos nosso foco de atenção as palavras e esquecemos do restante do conjunto, confiamos que nosso paciente vai ser sincero conosco, que se ele nos procurou é porque precisa e pronto! Grave erro esse tipo de pensamento, pois por incrível que pareça, muitos pacientes que nos procuram escondem seus reais motivos sejam lá quais forem: Por medo, timidez, vergonha do que está lhe afligindo e acabam não se abrindo . O fato é que muitos vem a nós de uma forma rápida e da mesma forma somem sem dar explicação e acabamos não entendendo o porquê, preferimos creditar esse fato a melhora dos sintomas, pouco dinheiro para as sessões etc e etc... Porém o que nosso paciente queria mesmo é ser entendido, ter seus sintomas eliminados ou minimizados, quando não conseguem se fazer entender pelo terapêuta, ou quando suas palavras não são suficientes para contar aquilo que está passando consigo, simplesmente vão embora e não aparecem mais.
A armadura, essa couraça do caráter se bem vista pelo terapêuta, se bem detectada através dos pontos de tensão, pode servir como um texto inteiro sobre a vida e personalidade desse nosso paciente sem que ele precise ao menos, se abrir ao ponto de provocar angústia e uma miscelânia de emoções desagradáveis que somente a terapia verbal proporciona, ao contrário das sensações de lembranças que o carinho do toque pode trazer a tona e que, através desse mesmo toque resignificá-las sem se sentir dor.

Por: Ricardo Denysard Correia Godoy

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